RESUMO
A comunicação, do mesmo modo em que é influenciada pelos processos de desenvolvimento da sociedade – tais como avanço da ciência e globalização – opera também como canal que propicia o desenvolvimento da sociedade em seus diversos aspectos. Com destaque neste estudo para a tecnologia e a globalização. Essa via de mão dupla permite que tanto o indivíduo quanto a sociedade tenham acesso a um número cada vez maior de meios e habilidades em comunicação. A globalização tornou possível a expansão dos mercados, das sociedades e da difusão da cultura e da informação. Por meio da evolução da tecnologia a comunicação tornou-se um produto, que precisa ser avaliado e aperfeiçoado. Este artigo tem a proposta de analisar a comunicação no contexto da globalização e da tecnologia, observando seus principais conceitos, buscando desenvolver a consciência de se obter competência no que se refere ao contexto do desenvolvimento da comunicação no cenário globalizado.
Palavras – chave: Comunicação. Tecnologia e globalização. Competência.
ABSTRACT
The communication, in a similar way where it is influenced by the processes of development of the society - such as advance of science and globalization - operates also as canal that propitiates the development of the society in its diverse aspects. With prominence in this study for the technology and the globalization. This way of double hand allows that as much the human being how much the society each bigger time of ways and abilities in communication have access to a number. The globalization became possible the expansion of the markets, the societies and the diffusion of the culture and the information. By means of the evolution of the technology the communication became a product that it needs to be evaluated and to be perfected. This article has the proposal to analyze the communication in the context of the globalization and the technology, being observed its main concepts, searching to develop the conscience of if getting ability as for the context of the development of the communication in the global scene.
Keywords: Communication. Technology and globalization. Ability.
INTRODUÇÃO
Pode-se perceber, quando se caminha pelas ruas, a profusão de cores, símbolos, textos e sons que surgem, não importa o trajeto que se faça. Desde passar por um grande centro urbano – onde somos tomados por apelos sedutores das propagandas e anúncios ou presenciando uma conversa informal entre duas pessoas – ou passando por uma vila em algum lugar do interior onde mesmo sem grandes recursos tecnológicos, a comunicação é igualmente presente.
Os avanços tecnológicos proporcionaram para a humanidade um salto gigante no que se refere a disponibilidade de acessos aos meios de comunicação e disseminação da informação, sendo um fator de alta relevância para o fenômeno da globalização.
Contudo, há ainda a necessidade de se explorar metodologias mais competentes e responsáveis na dispersão da informação de forma global. Segundo Whitaker (2006), atualmente aborda-se muito que as organizações devem agir com responsabilidade social, divulgar suas ações institucionais paralelas às funções de produzir e distribuir seus bens e serviços.
Entretanto, apesar dos diversos indicadores de desempenho, responsabilidade e conduta existentes na sociedade, no âmbito da comunicação há pouco enfoque no que se refere ao seu desempenho com ética e competência. E como afirma Whitaker (2006), ainda existem poucas análises a respeito da conduta ética e responsabilidade na comunicação.
O presente estudo procura buscar à luz dos conceitos de comunicação, tecnologia e globalização, analisar a evolução da comunicação, bem como apontar a importância de se desenvolver competência em comunicação para efeito de otimização nas relações sociais.
O PROCESSO TECNOLÓGICO NO CENÁRIO GLOBALIZADO
A abertura de mercados em todo o mundo proporcionou uma nova realidade cultural e mercadológica para muitas nações. Segundo Gorender (2007), a globalização pode ser entendida como a aceleração intensa dos processos de internacionalização e mundialização.
Portanto, com o desenvolvimento cada vez mais rápido dos processos de globalização, a demanda por informação cresce igual, senão em maior escala.
Cannabrava (2007), afirma que na história da humanidade nenhuma outra área teve um desenvolvimento tão grande e tão rápido como a da tecnologia da informação, e o que ocorre na atual fase desse desenvolvimento é a convergência tecnológica. Rádio, televisão, telefonia convencional e celular, internet, fundidas em uma multimídia agregada de conteúdo.
Desta forma, com a infinidade de meios e acesso fácil, a comunicação se transforma em um elemento interessante aos mercados capitalistas, fazendo com que se torne um produto rentável. Um exemplo da produção e comercialização da comunicação é a demanda nas áreas da propaganda e publicidade. De acordo com o instituto Mapa (2000), O mercado da comunicação publicitária tem importância no contexto econômico do país, movimenta capital, gera empregos, conecta-se à demanda de consumo e, assim, presta sua cota de contribuição ao fluxo de bens e serviços.
Embora a maioria dos fenômenos de transformação global que acontecem hoje sejam gerados pelos efeitos da tecnologia, e ocorrem com velocidade sem precedentes na história da humanidade, é igualmente notável que as sociedades sempre estiveram em evolução. De acordo com Drucker (1993), a cada um ou dois séculos ocorre uma transformação aguda, afetando toda a sociedade, sua estrutura política e social, valores básicos, e a economia mundial.
Basta lembrar os saltos tecnológicos que ocorreram com a humanidade com a descoberta do fogo, a invenção da roda, a escrita, a imprensa de Gutenberg, a energia elétrica, as máquinas industriais. Invenções e descobertas em épocas onde os meios de comunicação eram escassos ou deficientes.
Portanto, pode-se destacar o avanço da tecnologia como sendo um fenômeno inerente ao processo de desenvolvimento da sociedade, tendo a globalização como um dos resultados deste processo.
Oliveira (1998), afirma que, o processo de globalização é um fenômeno histórico, que produz mudanças radicais e irreversíveis sobre a economia mundial. Mesmo que as diferenças culturais nunca deixem de existir, pode-se perceber que cada vez mais pessoas compartilham um número cada vez maior de referências.
Entende-se, portanto, que a tecnologia e a globalização têm papel decisivo sobre a evolução na sociedade e, particularmente afeta o processo de comunicação entre os indivíduos.
COMUNICAÇÃO
A humanidade tem usado sua capacidade de comunicar para desenvolver sua cultura, ciência e tecnologia. Calado (2007) afirma que, comunicação é, por definição, a atividade de emitir, transmitir e receber mensagens. Portanto, não só o ser humano possui a faculdade de comunicação, mas também os demais seres vivos se comunicam.
Conforme Moderno (2007), a comunicação significa pôr em comum, conviver, do latim "communicare", Portanto, a comunicação está definitivamente presente em qualquer momento na vida do ser humano. Aristóteles (1941 apud BERLO, 1999), afirma que a comunicação se define como a procura de todos os meios disponíveis de persuasão. E dificilmente podemos deixar de nos comunicar, com ou sem propósito definido.
Portanto, a comunicação é definitiva e continuamente presente em todos os processos e relações existentes na sociedade. No entanto, em um segundo momento, o poder que a comunicação exerce sobre as culturas, infere também o sentido comercial e político em seu conceito.
De acordo com Cannabrava (2007), Hitler e seu guru da comunicação, Gebels, consideravam que “a arma de guerra mais espetacular de que se pode dispor é a comunicação. Ela dispensa os exércitos, poupa vidas e possibilita a submissão de estados e nações”. Contudo, por meio dos processos de globalização e avanço tecnológico, a comunicação torna-se, inevitavelmente, um produto a ser explorado.
Segundo Bourdieu (1987), apesar da sociedade atual estar inserida em um mercado material, há a percepção da existência de um mercado de bens simbólicos poderoso. Na medida em que estabelecem relações sociais entre si, os homens realizam não somente a troca de mercadorias, mas também de significados, de símbolos. Há, portanto, uma lógica da produção, circulação e consumo dos bens simbólicos a ser explorada e analisada.
Castells (1999), afirma que a comunicação simbólica entre os seres humanos e o relacionamento entre esses e a natureza, com base na produção, consumo, experiência e poder, cristalizam-se ao longo da história em territórios específicos, e assim geram culturas e identidades coletivas.
Portanto, ao compartilhar símbolos, significados e referências, deve-se considerar a questão da competência na comunicação para a otimização das relações humanas e de troca.
De acordo com Berlo (1999, p. 15), “qualquer situação de comunicação humana compreende a produção da mensagem por alguém, e a recepção dessa mensagem por alguém”. Nesse sentido, quando alguém escreve, alguém lê, quando alguém pinta um quadro, alguém vê esse quadro, quando alguém fala, alguém ouve.
Portanto, a análise de qualquer situação de comunicação deve considerar os dois pontos de vista, ou seja: a) como a fonte pretende influenciar o receptor e b) como o receptor é influenciado pela informação.
Para Santaella (2002), as interfaces da informática, especialmente na Internet, mudaram as visões tradicionais de interatividade, provocando transformações fundamentais no esquema clássico da comunicação. A figura do receptor tornou-se participativa, alterando a natureza da mensagem e conseqüentemente o papel do emissor. “Nós não vemos as coisas como elas são, porém como nós somos”. (KANT, 1781, p.387 grifo nosso). Portanto, com a evolução das interfaces da comunicação há de se considerar de maneira equilibrada o significado da mensagem e o propósito do emissor e do receptor para que o resultado do processo seja satisfatório para todas as partes envolvidas.
Para a comunicação, os dois fatores – tecnologia e globalização – modificaram a maneira como pessoas de todas as partes do mundo compartilham as informações, buscando ao mesmo tempo falar uma mesma linguagem sem parecer estrangeiro.
Deste modo, pode-se entender que foram as condições criadas pela própria globalização que apontaram as novas direções para a comunicação nas diferentes culturas.
A globalização criou organizações globais, que produzem e distribuem seus produtos em diferentes partes do mundo. As marcas e os produtos do McDonalds, da Wrangler, da Shell, da Motorola e de uma infinidade de outras empresas são tão familiares para nós brasileiros quanto para qualquer europeu. Vidas e culturas diferentes, mas que reúnem muitas experiências em comum.
Entretanto, mesmo afetada pelos avanços da tecnologia ou pelos processos de globalização, acredita-se que a própria comunicação desempenha um papel fundamental permitindo o fluxo contínuo desses processos. Pois é o ato de comunicar que transfere a informação, gerando conhecimento e o compartilhamento de referências, diminuindo assim, as barreiras da linguagem e das fronteiras culturais.
COMPETÊNCIA EM COMUNICAÇÃO
Apenas o desenvolvimento tecnológico e a facilidade de acesso aos meios, não garantem a eficácia na comunicação.
Segundo Perrenoud (1999), competência é a capacidade que um indivíduo desenvolve para atuar eficazmente em determinado tipo de situação apoiado em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles.
Neste contexto, apenas o processo de comunicar em si pode não significar que o objetivo do emissor ou do receptor tenha sido alcançado.
Conforme analisa Moderno (2007), o processo de comunicação implica que transmissor e receptor estejam dentro da mesma linguagem, caso contrário não haverá entendimento. Portanto, a comunicação deve levar consigo a idéia de compreensão.
Para Voegelin (1956), o primeiro significado da comunicação é o seu sentido substantivo, onde tem o propósito do desenvolvimento e construção da personalidade humana, é o processo em que se cria e se mantém a ordem substantiva da sociedade. Pode-se acreditar que as pessoas crescem e se enriquecem à custa de informação. “A informação constitui a substância de todo o pensamento, tomada de decisões e resolução de problemas”.
Portanto, a comunicação pode ser um processo intuitivo que necessita, além dos elementos básicos – Emissor – Mensagem – Receptor – a percepção dos envolvidos como complemento do processo.
De acordo com Braga (2004), a competência em comunicação é um processo interpessoal que deve atingir o objetivo dos comunicadores, pressupor conhecimentos básicos de comunicação, ter consciência do verbal e do não-verbal nas interações, atuar com clareza e objetividade, promover o auto-conhecimento.
Deste modo, para que se obtenha competência em comunicação, é preciso desenvolver essas habilidades desde os primeiros momentos da vida em sociedade.
Braga (2004) afirma ainda que a expressão da competência em comunicação está no ato de vivenciar o cotidiano profissional e pessoal, interagindo com o emissor, prestando atenção na comunicação não-verbal, validando a compreensão das mensagens, sendo capaz de eliminar interferências as quais a comunicação está sujeita.
No entanto, conforme supracitado, não há indicadores que ofereçam suporte prático às análises realizadas no que se refere a conduta da comunicação. Fazendo com que os conceitos relativos a estudos realizados nesta área sejam ainda abstrações decorrentes de observações feitas até o presente.
O desenvolvimento da competência em comunicação verifica-se pelo estímulo recebido desde a graduação, pelas leituras de aprofundamento do tema, pela prática profissional e realização de pesquisas. O ganho alcançado com a competência em comunicação interpessoal resulta em relações profissionais e pessoais mais significativas, maior autoconsciência e aceitação das diferenças, ampliação dos caminhos do ensino e da pesquisa e conquista de um bem-estar. (BRAGA, 2004, p. 78)
Portanto, para alcançar a competência em comunicação deve-se fazer uso de elementos além do modelo convencional de emissão e recepção da mensagem. A percepção, considerando o meio e as partes envolvidas pode tornar bastante eficiente e competente o processo de comunicar.
ANÁLISE SITUACIONAL
Com base nas observações realizadas neste trabalho, entende-se que a globalização e o avanço da tecnologia são fenômenos que se renovam a cada ciclo de transformação da sociedade.
A globalização, paralelo ao desenvolvimento tecnológico geraram a necessidade do indivíduo buscar e desenvolver novas habilidades em comunicação. Seja na vida profissional ou pessoal, a dinâmica da interação entre pessoas e máquinas adquiriu novos limites.
O aprofundamento educacional que um país proporciona para seus habitantes, baseado no conhecimento gerado pelas instituições de ensino, bem como a qualidade e objetividade nos discursos, paralelos ao desenvolvimento da capacidade de exercitar o ato de pensar, podem auxiliar na busca da competência em comunicação e por conseqüência, aumentar o desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade nos processos de globalização.
Deste modo, fica a proposta de continuidade desta pesquisa, analisando as possibilidades de se desenvolver indicadores eficazes de competência em comunicação, buscando o desenvolvimento do indivíduo como agente de mudanças na sociedade.
REFERÊNCIAS
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