Este artigo é uma compilação das próprias ideias do autor a respeito da educação infantil - Por Carlos Eduardo
Talvez não seja preciso ser médico, psicólogo ou curandeiro para compreender certas questões relacionadas ao comportamento humano. Com uma boa dose de bom senso podemos adaptar e aplicar a intocável filosofia antiga ao modo de vida moderno, aprofundando, portanto, o auto conhecimento.
O que faz o indivíduo se inserir na sociedade? Relacionamento humano, status, inteligências múltiplas, conhecimento, educação?
No contexto social, a educação pode ser considerada característica do indivíduo que respeita e se adapta aos códigos sociais ou um indicador daquele que possui o maior número de títulos acadêmicos? Ou quem sabe aquele que abstrai suas experiências e as aplica de maneira temperante na vida?
Romanelli (1960) esclarece que o termo "educação" origina-se do latim: "educare". É composto pelo prevérbio "e" e o verbo – "ducare", "dúcere". No itálico, de onde proveio o latim, "dúcere" se conecta à raiz indo-europeia, cujo significado primário era: levar, conduzir, guiar. O termo "educare", no latim, tem o sentido de criar (uma criança), nutrir, fazer crescer.
Portanto, pode-se afirmar que educação significa "trazer à luz a ideia" ou ainda abstraindo-se filosoficamente pode-se entender: fazer o indivíduo passar da potência ao ato, da virtualidade à realidade.
De qualquer maneira ninguém foge à educação. Na rua, na escola, na vida social, de maneira boa ou da pior maneira possível. É potencialmente no seio da família a principal fonte de educação de uma criança, pois uma vez lá fora, não podemos controlar o que nossos filhos irão ver ou experimentar, isto é por conta deles, a vida é assim e por isso que ao invés de esconder as nuances do mundo que há fora de casa, devemos prepará-los para entendê-lo, criando uma blindagem moral e ética no caráter da criança. Mostrar a realidade de uma maneira educativa é essencial para a formação de um caráter livre de vícios e preconceitos, que tanto adoecem a sociedade pela cultura de fechar os olhos para o que realmente existe do nosso lado e que, mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar sozinhos.
Contudo, não há uma regra única e rígida de educação. A criança precisa viver a fantasia para despertar o lúdico, o místico, o espiritual, elementos intrínsecos no ser humano, que se corrompem muitas em função de regras sociais, étnicas e muitas vezes pelas restrições de culturas religiosas.
A religião é um elemento que influencia diretamente na formação moral do indivíduo, no entanto, é preciso compreender que a religião não é parte da educação e sim um meio de conexão e reflexão no desenvolvimento cognitivo e auto conhecimento. Não se deve fazer da religião e suas regras como guia para a instrução de um indivíduo. A maioria das religiões não sabe lidar com educação infantil. Basta lembrar as milhares de crianças e adolescentes queimados em fogueiras nas praças públicas, promovidas pela Igreja Católica na instituição da inquisição em algum canto do mundo medieval e contemporâneo. Isto aconteceu simplesmente porque não sabiam lidar com o lúdico, a mágica e a vocação espiritual da qual todo ser humano é portador, além de obedecer a obscuros objetivos políticos.
Se ainda assim desejarmos basear a educação em algum livro sagrado, seja ele a Bíblia, as obras espíritas, evangélicas ou o Alcorão, podemos experimentar fazê-lo sob a ótica filosófica, ensinando atitudes com responsabilidade sem submeter o indivíduo a se redimir de algo que nunca tenha feito, curvando-se diante de um corpo sofrido, marcado por violência pregado em uma cruz, desculpando-se para alguma entidade superior desconhecida, o deus que o homem criou a sua semelhança, o deus que castiga, que impõe, o deus que é o próprio homem.
Há exemplos fantásticos na Bíblia de pensamentos filosóficos. Encontramos em Eclesiastes uma passagem muito importante que ensina: "Tudo tem seu tempo, há um momento oportuno para cada empreendimento". Este precioso conhecimento pode ser a base no desenvolvimento da paciência no pequeno ser ao qual está submetido aos nossos cuidados.
Allan Kardek, em suas obras da filosofia espírita, exalta a importância da caridade para o perfeito entendimento do sofrimento na terra. Separando a "Pena" da "Caridade". Colocando uma criança em contato com a realidade de nosso mundo, incentivando a observação das diferenças existentes, estamos ajudando a criar valor ao que se tem no presente, a família, ao alimento, a compartilhar e desenvolvendo a capacidade da compreensão das diferentes condições do ser humano e seus estágios de evolução. Imagine a economia de tempo e quantas dores de cabeça evitaríamos se conseguíssemos deixar este ensinamento para nossos filhos já nos primeiros anos de vida.
Talvez uma vida inteira não seja suficiente para entender a mente humana, imagine a de uma criança com 2, 3, 4, 5 anos de idade que acaba de chegar em nossa vida e por mais que saibamos que são nossos filhos, ainda somos apenas uns estranhos para eles.
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ADULTOS X CRIANÇAS
Adultos dentro de casa não gostam de barulho, se irritam com o barulho da furadeira do vizinho, com o cachorro latindo na rua, da máquina de lavar e claro com choro de uma criança. Sabemos que o choro de uma criança não é uma sinfonia. E a reação instintiva mais comum é acabar com o barulho sem nos preocuparmos com as consequências. E por esquecer desses "detalhes técnicos" é que muitos de nós entramos em desespero nos dilemas da convivência em família. E por ser mais cômodo, esperamos que nossos filhos tenham o comportamento que nós gostaríamos que tivessem, mas achamos um absurdo quando eles agem com o comportamento que eles sabem ter. Nesse momento, não importa o grau de experiência que temos, somos os seus guias e qualquer atitude nossa agora será um eco do que nós ensinamos para eles.
O assunto é complexo, e há um questionamento muito comum quando se trata de educação. Como meu filho roubou no supermercado se nunca ensinei isto a ele? A ideia é ensinar-lhes as atitudes éticas e o que vai importar nesse momento é se ele fez isso consciente do crime ou se entende como uma simples brincadeira de adolescente por não ter sido educado com os limites necessários? De qualquer maneira quando isto acontece, não temos como controlar a atitude em si e a lição virá pela responsabilidade dele como ser humano e da obrigação de respeitar os limites que existem na sociedade diante das decisões tomadas por ele. Portanto, se a decisão de roubar o mercado foi baseada em um risco, com a consciência de estar praticando um ato ilícito, ele pode e deve ser punido. Pois se não for punido com amor, dentro de casa, a sociedade se encarregará de punir, fria e cruel fazendo jus a sua natureza implacável. E o que podemos fazer depois disto é somente chorar sobre um filho morto, ferido ou prostituído.
Por isso é muito importante abrir um canal de comunicação com eles o quanto antes, para no futuro, poder identificar esses comportamentos.
O ser humano vive constantemente com dilemas, desde o nascimento até a morte, todos os dias. E para muitas crianças, fazer escolhas pode parecer o fim do mundo.
Não é fácil, é um grande desafio e antes de tudo, antes de entender a mente de alguém, é preciso entender a nós mesmos. Pois se não estivermos preparados para absorver e relevar um ato agressivo ou defensivo, como vamos entender todo o resto.
É preciso entender também que tudo tem motivo de ser. Qualquer atitude de qualquer ser humano tem um propósito. Portanto, em um relacionamento familiar não é diferente, temos nossas necessidades, nascemos com elas, cabe a nós aprender e ensinar a melhor maneira de expressá-las e talvez este seja o maior desafio. Mas que é um momento da vida em que precisamos de exemplos mais do que nunca.
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Tal qual um bebê aprende a falar palavras que repetimos, os adolescentes repetem, mesmo que escondido, as atitudes que demonstramos.
Por isso, não importa a situação. Lembre-se sempre que somos responsáveis por eles e por isso a nossa postura é muito importante e eles precisam entender quem está no comando, mas não no comando do poder severo, mas sim como guia, como orientador, como fonte de carinho e paciência, porém enérgico se necessário.
Procurar nunca agredir com palavras ou ameaças ou mesmo com frases desesperadas como: "já não suporto mais", "não sei mais o que fazer", é preciso demonstrar confiança, mesmo que seja preciso engolir um grito ou um choro e com isso, demonstrar que o único objetivo de qualquer conversa será o entendimento entre todos. Nunca demonstrar surpresa ou medo diante de
atitudes agressivas ou evasivas.
Imagine que mesmo com toda revolta que uma criança pode ter, ela tem seus pais como guia e modelo principal de ser humano. Então, se imagine ouvindo de seus pais, seus responsáveis, seus mestres, que eles não sabem mais o que fazer com você.
A teoria é perfeita, mas na prática a coisa muda, certo? Certo e errado, pois dificilmente aplicamos com rigidez as regras da teoria. É comum acharmos extraordinários os livros de auto-ajuda ou os que ensinam como criar seus filhos ou pessoas falando que já fizeram isso ou aquilo e deu certo, mas nunca entendemos porque não conseguimos resultados.
Mas nunca se esqueça que qualquer atitude feita com amor e sinceridade é uma semente. E uma semente que precisa ser regada sempre, todos os dias em qualquer oportunidade que tivermos, mesmo que por muitos dias elas pareçam secas e murchas.
O desafio é grande e haverá momentos em que tudo parecerá perdido, pode ser que a sensação de impotência apareça e lhe faça pensar que nada que tentou deu certo, mas acredite que o caminho é sempre a decisão de não desistir e a persistência e a resignação guiarão nossos passos para uma vida melhor.